segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pedaços de Você


Queria eu ter um pedaço de você. Um só que fosse...
Se o tivesse talvez tudo fosse diferente.
Se o tivesse você estaria aqui todo o tempo.
Se tivesse uma mão sua, a faria segurar a minha para que eu não mais sentisse insegurança.
Se tivesse sua boca, passaria o dia inteiro a escutar ela dizer o quanto eu sou especial pra ti.
Se tivesse seu pé, apoiaria o meu sobre ele e dançaria uma música.
Se tivesse um pedaço do seu coração, guardar-me-ia dentro de um lugar onde eu jamais pudesse sair.
Pergunto-me porque dentre tantas pessoas e tantos pedaços eu vou querer logo os seus?
Guardei os meus a sete chaves até meus vinte e cinco anos e hoje não consigo entender por que cada dia que passa você tira um deles do baú. Como isso pode acontecer se eu nunca te dei a chave? Será que não os dei antes porque eu jamais tive a chave? Será que você é chave?
Se tenho sonhos, você está neles. Se adormeço é por causa do seu cafuné. Se frio sinto é porque você não está perto. Meu sorriso a cada manhã é única e exclusivamente pra você.
Dói não ter seus pedaços pra poder guardá-los em uma caixa com um lindo laço cor de rosa. Mas dói ainda mais o que me leva a perceber que não os tenho...

Dói quando...
...Você me beija e não é a mim que estais a beijar...
...Me olha e não é para mim aquele olhar...
...Me toca e não é a mim que de fato querias tocar...
...Pensas e não em mim que estais a pensar...

(...)

Percebo... E então, finjo não sentir, minto não querer, nego não estar, mas no fundo continuo a desejar.

Desejar, apesar de não saber ao certo merecer...
Desejar esse tão pequeno/grande pedaço que é você.

  
29/07/2012
“RB”

segunda-feira, 30 de julho de 2012

POEMA AO MUNDO QUE VIM

Minha vida
Minha cor
Meu amor

Estrela brilhante
Que de tão longe brilhar
Perto de mim veio ficar

No dia
Na hora
Não sensata
Mas exata
Um caminho se trilhou

Tantos nãos
Quantos vãos
Um abraço preencheu

Eu
Você
Um dois mais que mil
Que de tanto sofrer
Já quase virou um

Meu amor
Verde meu amor
Ficou por teus olhos olhar

Como diz a canção:
Não sei se o mundo é bom
Mas ele ficou melhor
Quando você chegou
E perguntou:
Tem lugar pra mim?

Quando para esse mundo vim
Pensei jamais encontrar
Não somente você
Mas um sorriso assim
Que poderia eu até morrer
Se ele viesse um dia não ser para mim

A vida quando não vivida
Perde-se nas ruas,
Nas chuvas sem fim
Embora a partir de hoje
Eu jamais viva
Morrei pois feliz
Por ter vivido assim
Um pedaço de minha vida
Mesmo que pequeno
Ter sido tão somente para Ti

Saiba pois
Que para o amor não existe ADEUS
Se um dia você para longe for
Não me diga ADEUS
Pois por mais que tu queiras
Jamais conseguirias
Abandonar meu humilde coração

Esse mundo que não é meu
Não seria mundo
Se não fosse você.


Rita Brito
05/01/2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

4 ANOS SEM VOCÊ

Um, dois, três e agora quatro. Quatro anos sem você.
Os dias foram se passando como se passa página de revista quando apenas se quer ver as imagens.
Arvores crescendo, o sol se pondo, pessoas chegando e outras indo embora.
Às vezes me pergunto por quê?
Será que a vida é mesmo assim tão ingrata, que fez você não poder me levar ao altar?
Será que eu não merecia ver seu orgulho expressado através do brilho no olhar em minha formatura?
Talvez seja melhor não me questionar.
(...)
Ainda penso em você todas as noites. Peço sua bênção, fecho os olhos e adormeço.
Custo acreditar que foi como foi... Que não pude dizer-te ao menos “até logo” quanto mais “eu te amo”.
Quando volto ao lugar que vivemos durante anos, espero ver na entrada meu livro de José de Alencar edição de 1971 escorando a porta para que eu não tivesse se quer o trabalho de ter que girar a maçaneta. Procuro-o por cada cômodo, cada lugar em particular que me lembra você ao extremo. Por um segundo fico feliz ao achar que estais para chegar do trabalho como todos os dias fizestes. Então, a hora chega! Mas você não vem. Não vem porque já se foi. E se foi há exatos 1.460 dias.
Esses dias estava pensando e cheguei à conclusão de que a vida não passa de um intervalo. Sim, um mero intervalo, como de escola mesmo. Onde uns correm, pulam, comem, cantam e outros sentam-se, quietos, vendo tudo que os outros fazem, porém, sem de nada participar.
Não pedimos para nascer e muito menos para morrer, mas de tudo é só que temos certeza: se estamos aqui é porque um dia iremos embora.
E entre esse começo e fim o que fica é o intervalo de tempo. Lugar onde vivemos. Nada sabemos o que antes se passou e nem o que virá depois. Me entristece ver que tantos ainda insistem em passar esse intervalo apenas olhando, admirando, sem nada fazer, sem nada aproveitar, sem nada viver.
Para alguns é longo, para outros é curto demais, pra você eu queria que tivesse durado a quantidade exata que o meu fosse durar. Mas não podemos escolher.
Saudades? Nunca deixarei de sentir ou pelo menos sentirei até o dia que te reencontrar. Não sei o lugar, nem a hora, mas até lá, minhas orações são para que esteja bem.
Agradeço todos os dias por ter feito parte do seu intervalo. Por todas as coisas que me ensinastes até mesmo quando nada falastes.
Agradeço todos os dias por poder ter te chamado um dia de PAI.


            “RB” 25/07/2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Penhasco

Passo o dia a me perguntar, como não ter medo de amar? Não ter medo de sentir...
Sinto, pois, algo que jamais imaginei existir. E agora? Devo fugir?
Fugir de sonhar sem ao menos ter que fechar os olhos? Fugir de sair do mundo toda vez que os lábios se tocam? Não tentar viver a plenitude do carinho? Devo correr para longe de alguém que ao tocar minha pele faz o coração palpitar, as mãos suarem e os olhos se fecharem? Devo? Ou devo ficar? Tremer mais e abrir os olhos sem medo de tudo isso ser um sonho?
Tantos anos na espera inconsciente de algo, alguém, palavras, gestos...
Acordo e acho que o mundo talvez esteja me pregando uma peça... Pois se isso for, não existe quebra-cabeça que ela se encaixe como não existe explicação para um simples dia, ao por do sol, no primeiro lugar duas vidas se encontrarem.
Se existe explicação, ainda não a encontrei, talvez por não a procurar, talvez por simplesmente querer apenas viver...
Cada bom dia vindo desse alguém faz meu dia brilhar mais que o mais claro raio de sol da primeira manhã de primavera.
Cada abraço me tira as pernas e o cheiro me segura para que eu não caia pela falta do chão.
Penhasco? Escolhe algo mais alto. Meu medo de altura trazido da infância não será capaz de me fazer desistir se estiveres segurando minha mão. 
O que espero/quero de você? Não é nada complexo. É apenas você. E o quero de uma forma que não se pode explicar aos normais.
Se fico contigo essa noite? Digo-vos que não. Não essa noite, não apenas essa noite. Mas todas as noites que a vida nos permitir.
Medo? Tenho muitos. Mas vou me conter, para que nenhum deles me faça ir para longe de você.
Afinal de contas, ainda quero viver todas as sensações que os 15 nos proporciona mesmo já tendo chegado aos 25.


 
11/07/2012
“RB

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Rosa de Vidro


            Segure minha mão...

            Não sOu tão frágil que não se possa tocar e nem tão forte que não se possa quebrar.

            Tem Dias que sou veRmelha, ardente de paIxão. Outros sou branca, fria, rígida, inerte...


            Quando estou rosa quero um abraço; Amarela quero um beijo; Azul sou exiGente e quando estou sem cOr não quero nada além do silêncio e solidão.

            Mas ainda assim digo: segure minha mão...

            Não é fácil ser de vidro... Não se olha com desejo para aquilo que se julga não poder tocar.

            Não é fácil ser rosa... Ter beleza plena por tão curto tempo... Ser admirada por tantos e cuidada por tão poucos.

         
   Segura minha mão e me ajuda a caminhar, me faça ver a vida pela visão que não pertence só a rosa, pois ao final de cada dia o que quero apenas é ser quebrada por um abraço teu.



“RB” 18/07/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Meu ¼ de Século

Eu nasci querendo ser santa, mas nunca disse me coloque em um altar. Minha mãe sempre cobrou isso de mim e vivi durante anos achando que devia isso a ela. Um dia acordei, olhei para o teto e me perguntei: para que ser santa se sou feita de defeitos? Tenho dedos tortos, dentes grandes que me renderam apelidos por toda minha infância. Tenho desejos malucos e amizades não santas. Descobri então que não quero mais ser santa. Buscar a santidade é sinônimo de querer respirar única e exclusivamente a perfeição. Mas afinal, quem gosta de perfeição se o bom da vida são as imperfeições?  Vai dizer que você sonha com um homem perfeito? Que tem um trabalho perfeito? Que nunca reclama de nada? Que sabe cozinhar melhor que você? Que fala tudo que você quer ouvir... etc, etc, etc... Ta, você pode até sonhar com ele, mas eu não sonho. Também parei de sonhar faz tempo. Pra ser mais específica, parei quando percebi que não achava mais o Nick Carter do BSB o homem mais bonito do mundo e que ao invés das músicas do KLB, preferia ouvir nas tardes de domingo Guns N' Roses. A vida é muito curta pra viver em busca do impossível. A realidade também pode tem gosto de jambo, de doce de leite e até mesmo de quindim. Basta você enxergar pelo ângulo certo.
Tem dias que sou triste, olho no espelho e vejo uma rosa ao final de sua plenitude de beleza, prestes a cair à última pétala. Nesses dias, sou mulher sozinha, sou mulher que carece de palavra, sou menina que carece de sorriso, sou recém-nascida que carece de olhar. Às vezes a inércia é tanta que demoro horas para fazer o simples movimento de piscar os olhos. Nos dias que sou triste, olho para mim, olho para dentro e não para fora. Compadeço-me de minha própria solidão. E então, me comparo a um cacto, desejo sê-lo. Não por seus espinhos, mas pela forma e plenitude que o faz necessitar de tão pouca água para embelezar o imenso deserto. Tento não ter dias como esses, mas nem sempre consigo passar pela avenida contrária do destino.
Tem dias que sou feita de sorrisos, outros feita de lágrimas. Sorrisos de lembranças de todas as coisas boas vividas e lágrimas de saudades de pessoas que se foram e pessoas que me fizeram ir.
Em um dos 2.190 telefonemas, minha mãe me disse uma coisa dessas que escutamos as pessoas falarem todos os dias. Ela disse que quem inventou a distância não sabia a dor que era a saudade. Senti falta dela durante esses quase 2.190 dias. Derramei lágrimas à quantidade exata de dias, elevados ao quadrado e multiplicados pelo meu ¼ de século.
Amores? Não foram muitos nem poucos. Quando sonhava, amava ao extremo, chorava ao extremo, sofria ao extremo. Quando tentei viver os sonhos, algumas coisas mudaram, amei tanto quanto, chorei 10 vezes mais e sofri 100 vezes mais. Também já desisti de amar. Na verdade o amor entre homens e mulheres não passa de uma invenção das pessoas para terem motivos de colocar a culpa de sua infelicidade nos outros. Não precisamos de ninguém pra ser feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos momentos, ela sai de dentro de nós. Depois que descobri isso, não cometo mais o erro de entregar a minha em uma caixa com um laço de fita vermelho a primeira pessoa que me oferece um sorriso.
Todos os dias como hoje costuma chover, quando era pequena ficava bastante triste porque achava que o céu estava com raiva por eu estar feliz e também porque minha mãe não me deixar sair para cantar enquanto tomando banho das lágrimas de São Pedro. Hoje acredito que chove para celebrar mais um ano, para lavar os erros e oportunizar as novas esperanças e conquistas.
Quando tinha 9, achei que ia morrer de amor, platônico é claro, por aquele garoto da escola que nem se quer olhava pra mim. Quando tinha 10, dizia que jamais ia sofrer por amor. Aos 13, me apaixonei, aos 16 desacreditei. Aos 19 quis casar e aos 24 vi que nada nunca valeu a pena, a não ser alguns sorrisos que foram se perdendo e que hoje lembro vez ou outra. Como agora.
Sou diferente das outras pessoas, gosto de errar. É assim que aprendo. Os erros dos outros nunca me impediram de fazer algo. Fui para o mundo, aprendi, vivi e aqui estou parada no ¼ de século. Meu ¼ de século.
Se me perguntar até quando quero viver, digo que até amanhã, até depois, até meio e até um século. Quero nada mais do que o necessário, pois a vida só é longa ou curta demais para quem não sabe viver.
Vivo hoje, lembrando o passado e querendo cada vez mais descobrir a flor que o amanhã me trará.


Feliz ¼ de século para mim e para vocês.



Lauro de Freitas, 19/05/2012
Rita Brito

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Enterro do Eu

Hoje fui a um enterro de um velho conhecido meu.

(...)

Quando cheguei lá estavam todos em silêncio, atônitos com a situação.
Parece que o defunto era um velho conhecido de todos, amados por uns odiados por outros como todos são nessa vida.
Pareceu-me que todos se perguntavam a causa da morte, mas ninguém sabia ao certo.
Procurei os familiares para prestar minhas condolências.
Não entendi porque falava e ninguém me ouvia.
Procurei a mãe, os irmãos, os tios... A dor era tão profunda que ninguém levantava se quer a cabeça.
Olhei ao redor... Todos os meus amigos estavam lá. Colegas de escola, com quem tinham convivido apenas alguns anos, os da pista de skate, os da faculdade, dos trabalhos que já passei, das igrejas que já congreguei... até aqueles que conheci em festas e nunca mais os vi.
Todos, sem exceção estavam lá...
Comecei a relembrar algumas coisas, casos da vida que vivi com cada um...
Pena que a tristeza era tamanha que não me deixou abraçar todos eles.
Andei mais um pouco para ver se chegava até o caixão e mais uma vez fiquei surpresa com a quantidade de pessoas presentes.
Avistei minha mãe de longe, quis chegar perto, mas ela estava próximo demais ao caixão. Não consegui.
Não conseguia mais me mover. Era como se meus pés estivessem acorrentados ao chão. Fechei os olhos...
(...)
Ouvi uma voz que dizia: “vamos minha neguinha, enfeitar o jardim da nova casa”
Reconheci a voz. Não a escutava há algum tempo. Hesitei ao abrir os olhos e quando os abri minha boca exclamou sem que eu pudesse controlar: “Pai”.
Recebi um abraço no qual já havia esquecido o teor e a intensidade.
Ele foi à única pessoa que conseguiu me ouvir naquela sala.
Convidou-me a olhar em volta, parecia um filme passando diante dos meus olhos.
Quando dei por mim, lá estava eu, deitada sobre mim mesma vendo pelo pequeno vidro a primeira pá de terra sendo jogada.
Quis me desesperar, quis sair, quis fugir, mas já não havia nada a fazer.
Foi então que vi a pessoa que julguei mais amar nessa vida pisar nas rosas plantadas no meu túmulo.
(...)
Acordei.
Mas não se engane como eu. Isso não foi um sonho.
Tudo não passou de uma realidade dura, fria e amarga.

Causa da morte: Amor intenso.
Data do óbito: 21/02/2012

Saudades eternas...