quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Seu Meu Sorriso de Cada Dia

O vi uma única vez. Achei algo extraordinário. Calei. Guardei até mesmo a atenção para mim. Não era correto, nem permitido. Mas sabia! Algo chamou minha atenção.
Seria o olhar? O falar? Não sabia ao certo. Também não pude procurar...
Quando acordei no outro dia, já não pensava mais. Saiu do pensamento, mas não das lembranças.
Depois de alguns dias, vi uma, duas, três fotos. Lembrei! Fiquei parada a olhar. Foi como se algo me falasse quando nada falasse.
Semanas se passaram e aquilo tudo se deu ao completo esquecimento. Já nem se quer lembrava que um dia tinha visto algo, alguém, aquele alguém. Até que um dia, fechei os olhos, respirei fundo e senti quando saí de casa que aquela noite não seria apenas a lua que iluminaria o céu.
No meio de boas vibrações lá estava novamente. Irradiava... Iluminava... Por três segundos não parei de olhar. Apenas três porque não podia mais que isso no primeiro instante. Foi o necessário! Nas próximas 2 horas olhei repetidas vezes e só parava quando percebia que todos já estavam a perceber.
Fumamos um cigarro... Você sorria todas as vezes que te olhava. Me encantei novamente e quando tocava minha cintura tentando me proteger o corpo todo estremecia.
Não sabia mais o que fazer, só sabia olhar. Foi quando descobri que era o sorriso a razão de tudo aquilo. Era ele que chamava, que brilhava, que falava, que tudo fazia naquela noite.
Olhei para baixo e pensei não mais olhar, não mais sentir, não imaginar e muito menos desejar. Sabia que não era correto.
Fumamos outro cigarro e quando vi já estava sentindo o sorriso da forma mais plena. A música ao fundo que eu nem se quer conseguia ouvir... Os isqueiros que eu nem lembro estarem acesos... E ali estávamos... Eu, você e o sorriso!
O dia chegou quando ainda estava a te sentir. Fechei os olhos e desejei ter a possibilidade do tempo voltar. A noite poderia recomeçar! Mas, logo os primeiros raios de sol me trouxeram a realidade. E quando o último acorde tocou, meu coração bateu, os olhos fechei e fixei nesse momento todos os olhares e carinhos. Entrei no carro e fui até em casa pensando. Não conseguia ver aquele momento como quase perfeito, não podia ser quase, pois nada faltou. E agora o que fazer? Esquecer? Não pensar? Talvez não pensar sim! Mas não pensar no amanhã. Deitei e fiquei a olhar para o teto até adormecer.
Os dias se passaram e eu continuo aqui... Pensando! Lembrando de cada detalhe. Talvez nunca esqueça aquela noite, mesmo que jamais reviva se quer um daqueles olhares. O que sei, é que não penso no amanhã, deixo que ele reserve outros momentos como aquele. Prefiro pensar em você e no dia que fumaremos outros cigarros.
Ah! O sorriso? Esse eu penso todos os dias... Se tornou o Seu Meu Sorriso de Cada Dia!


                                                                                                                              
                                                                                                             19/11/2012
                                                  Rita Brito

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

GATO A BORDO

Um,
Dois,
Três miaus.
(...)
Socorro?
Não!
Sofia.
O sono caminhando ao contrário
As curvas martelando meu cérebro
O coração amarrado pra não se esconder dentro da artéria
Um grito e já estava só o pito
Depois da primeira hora tudo se ouvia
E aí a maior agonia
Quando de repente:
“Tira esse gato daí”
Queria correr
Mas e Sofia?
Dormia?
Não!
Miava.
A pata puxando meu pé
A boca pedindo socorro
A lei me reprimindo
E de repente
Um lugarzinho
Bem ali de ladinho
E de sobra uma escada
Que se tornou meu lugar
E enquadrou-se por meu assento
Até a viagem terminar.


11/11/2012
Rita Brito   

DESIGUAL CORAÇÃO

Minha parte maior
Que tudo ligou
Tudo sustentou
E você sem dor
Quebrou
Feriu
Magoou
E nem ao menos me explicou
O que de fato se torno
Nem o breu que me deu
Fez meu eu enxergar
Que nunca existiu verdade
Ou talvez
A única verdade
Que de fato proferiu
É que esse seu eu
Jamais existiu

11/11/2012
Rita Brito  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lágrima



Meu nariz mexeu
Coração doeu
Senti na alma
Aquela dor fadada
O olho piscou e ela caiu
O rosto do palhaço borrou
O lindo sorriso da menina calou
A rosa orvalhou
O céu acinzentou
O vento a levou
A dor se aconchegou
O silêncio reinou
O violão ecoou
O nariz congelou
Aos poucos foi descendo
A ladeira sinuosa
Encontrou alguns amigos
Disse: “oi” e foi embora
E desde então
O mar se tornou um poço
Tão pequeno quanto o esforço
Inundando todo aquele rosto
Do palhaço já tão morto
Quanto à alma
Daquele ser tão torto
Que nem mais o esboço
De se quer um sorriso morto
Tem na face estampado
Mas ainda tenha calma
Salvem as almas e as lágrimas
Os sorrisos e as falas
Os cantos e os encantos
Pois o palhaço morto
Morre a cada dia
Por todos os sorrisos
Que nunca lhe foram dados
E revive cada vez
Que esse tão somente alguém
O olha e diz: é com você que sou feliz.


  
17/08/2012
“Rita Brito”

Dia do Adeus


Dissemos Adeus no dia que nos conhecemos. Essa foi de fato nossa segunda palavra.
- Prazer... Adeus!
Nossos sorrisos pareciam buscar um refúgio, uma fortaleza para se esconder de tanto sofrimento e solidão. Sorrimos, você me deu sua mão e começamos a caminhar. Caminhamos ainda sorrindo, porém sabendo, que aquele sorriso era apenas passageiro, como um na vida do outro.
Sensações inexplicáveis a cada gesto, a cada olhar, a cada lugar... Tão fortes que até pareciam nos confundir. Mas seu olhar, aquele que saía do fundo do seu coração, me mostrava a cada dia que você jamais iria me amar.
Ainda vives a procurar o teu caminho e eu o meu. Caminho ao qual penso jamais encontrar, mas se ainda tens esperanças digo-vos que vá.
Vá, mas não tão longe. Vá para onde possa te ver... Ainda tenho esperanças de um dia te fazer me amar.
Nosso Adeus não é triste.  Não é de longe, pois nunca de fato estivemos perto. Não é de saudade, pois já a sinto desde antes. Não é de solidão, pois sempre te levarei dentro de mim.
Queria ter o poder de curar todas as tuas feridas, te tirar da solidão, preencher esse vazio eterno do teu coração, mas não tenho se quer o poder te fazer esquecer seus amores antigos.
Por instantes fosses meu presente, quase passado e jamais futuro. Pelo menos jamais até um dia descobrirmos que nosso Adeus foi o motivo de nossa história se tornar eterna, pelo menos em nossos corações.
Estarei na sua vida, até o dia que nosso Adeus se tornar de fato Adeus.


“RB”
12/08/2012

FIM DO COMEÇO


Porque o começo tem que ter um fim?
Você chega, faz morada e se vai sem ao menos dizer adeus.
(...)
Espaços são deixados...
Outras pessoas tentam preencher...
Ainda não permito.
Será mesmo que tudo sempre começa quando algo termina?
Se for isso que estiver acontecendo, preferia que nada acabasse. Preferia que você fosse o que foi nos primeiros dias. Acho que não gosto do você de hoje. Ou pelo menos não foi por ele que me apaixonei perdidamente apenas com um beijo. Esse você não me faz feliz pelo fato de simplesmente existir.
Cansei de tantos fins...
Fins de começos...
Fins de fins...
Mas o que fazer para não ter mais fins?
Desistir de viver?
Parece-me que essa é única solução.
Tudo se repete.
Nada se difere.
Tudo se tornou tão igual.
Pelo menos o ADEUS não foi igual.
Dizem que o adeus poético é vivido por muitos, mas esse é exclusivamente para você.



“RB”
05/08/2012


terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Borboletas dos Seus Cabelos

Olhei sua beleza através do vidro.
Queria o mundo parar...
Mas as borboletas dos seus cabelos não deixaram.
Previ esse momento.
Sonhei com você, quis você.
Linda no vidro.
Reflexo de princesa, textura suave, borboleta cor de rosa tatuada em mim.
Rosa porque é grande e também a mais bonita.
Quero te chamar de minha.
Te pergunto: posso?
Você responde com a covinha do teu sorriso.
Tens todas as cores que preciso.
Vem ser...
Vem ser minha aquarela...
Minha cor, minha flor.
Vem ser minha e meu amor.
  


14/08/2012
“Rita Brito”