segunda-feira, 17 de junho de 2013

A PACIENTE

            Me disseram que estou doente, mas não acreditei.
            (...)
            Como posso estar doente se não sinto nada?
            Mas doente de que? Porque? Para que mesmo?
            Tantas perguntas e tantos medos...
            Segundos de incertezas...
            Soube que as doenças da alma são curadas pelo tempo, as do corpo nem sempre.
            Não questionei muitas coisas. Mas a primeira foi o porque dessa doença? Algo ainda tão incompreensível, tão brutal, que traz tanto sofrimento para todos que estão a sua volta.
            Ouvimos falar das doenças do século. Tantas pesquisas e experimentos e a cura ainda é algo tão incerto.
            Os médicos falam das chances de cura, do tratamento, da vida depois da cirurgia... Mas não falam do medo, da falta de fé que alguns dias bate a porta, do tempo de vida que você ainda terá.
            É bem difícil acordar um dia e saber que você pode morrer mais rápido do que imaginava. Saber que talvez seus últimos dias sejam lutando contra uma doença, e pior, lutando uma luta que você no fundo já sabe quem irá ganhar.
            Não tenho medo da luta, nem de como vou ficar sem cabelos. As vezes nem tenho medo... Mas as vezes também nem tenho forças.
            O que eu quero hoje?
            Que minha família não sofra; Que eu ainda tenha tempo de fazer tudo que quero; Que meus amigos nunca se esqueçam de mim e que eu possa reencontrar aqueles que não vejo há algum tempo; Que minha mãe cuide de meus filhos e que todos possam sorrir ao lembrarem de mim. Que eu possa não chorar quando chegar minha hora e que tenha força suficiente para sorrir até esse dia chegar.
            E até lá... Tentarei apenas sorrir, de um jeito que alguém um dia me ensinou a sorrir, pois tenho certeza que há um lugar em que o sol brilhará para mim.



Rita Brito
27/05/2013

17/06/2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Aos 26...


           

          Há um ano atrás, quando fiz 25, tinha grandes sonhos. Grandes não pelo fato de serem quase impossíveis, mas sim por achar que teria uma vida inteira pra realiza-los e que a vida inteira seria tempo demais pra fazer tudo.  Acabei esquecendo que a vida pode ser longa e curta, depende de cada pessoa.
            Durante esse ano, vivi muitas coisas. Conheci pessoas que ocuparam um lugar tão singular no meu coração que nem eu sabia que ele existia. Em todas depositei minha confiança, umas me mostraram que valeu a pena e outras me arrependo de ter até conhecido.
            Trabalhei mais que todos os outros anos. Queria comprar meu carro e meu apartamento. Fiz planos para a construção de minha casa... Pensei em cada detalhe. Cheguei a me imaginar na varanda no final de tarde, tocando o violão e a brisa a meu rosto tocar.
            Senti ainda mais saudade de minha família. Fui lá mais vezes do que todos os outros sete anos que estou longe deles.
            Conheci um sorriso que jamais vou esquecer. Acho que ele será a última coisa que quero lembrar antes de morrer.
            Me tornei mãe! De três gatos lindos, mas o amor que tenho por eles não difere do que teria se fossem filhos humanos. Eles me tiraram da bolha que era minha casa chamada solidão. O amor dos animais é inexplicavelmente incondicional. Alegria, foi o que eles trouxeram para minha vida.
            Tomei o meu pior porre, dirigi pela primeira vez, fumei meu primeiro cigarro... Superei alguns traumas, também vivi coisas que jamais tinha imaginado e não me arrependo de nenhuma delas.
            No meu 1/4 de século achava que a vida estava apenas começando.
            ...
            Hoje, aos 26, começo conseguindo enxergar a relatividade da palavra começo.
            Dizem que quando somos jovens nossa vida está apenas começando. Bem, nem sempre isso é verdade. Até aqui, vivi como se cada dia fosse mais um dos muitos que ainda ia viver. Agora, sinto que estou em um novo começo, mas que para chegar no caminho final, tenho bem menos tempo do que imaginava.
            Aos 26, comecei a eliminar tudo que não me fazia bem. Quando temos pouco tempo, as melhores coisas são aquelas que nos trazem felicidade. Vou tentar pensar assim sempre.
            A vida as vezes me assustou, me levou por caminhos inesperado e me fez aos 26 estar aqui, onde eu estou hoje, sem saber ao certo o motivo de muitas coisas que aconteceram. Mas o importante, é que esses motivos ocultos foram os que mais me permitiram aprender. Aprendi a aprender com a vida e com as situações!
            Talvez um ano seja muito pouco tempo, mas aos 26... quero escrever um livro, ver o sol nascer na praia, andar de skate transcendendo a brisa do mar, viajar pelo Brasil, rever alguns amigos, tocar violão olhando a lua, viver um grande amor e tantas outras coisas que dão sentido ao que se tornou minha vida.
            Hoje pode até ser meu último aniversário, mas espero ainda ter tempo de viver  tudo que desejo AOS 26...

Rita Brito
19/05/2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

PERDÃO


    Perdoar não é apenas ter benevolência, é voltar a esperar.
    É deixar de lado todas as mágoas quando se ganha um sorriso.
    É achar que aquele dia é o primeiro, que aquela oportunidade é única e que tudo está começando de novo.
    Perdoar é achar que nunca vai esquecer o sofrimento, mas acabar nunca lembrando quando quer se defender.
    É jurar nunca mais dizer EU TE AMO por falta de merecimento, mas falar sempre sem perceber quando está perdido naqueles braços.
    É chorar de raiva ao lembrar, sentir saudade e lutar contra a própria vontade, mas desistir de tudo isso com um simples toque no braço.
    É esperar de novo uma ligação mesmo sabendo que ela pode demorar como as outras vezes, duas ou três semanas.
    É só lembrar: das brigas a parte da reconciliação, das noites, os beijos e carinhos, dos dias, as vezes que ficava perto.
    É mesmo depois de tanto sofrimento, rezar pela felicidade do outro.
    É tirar da tristeza um sorriso, das lágrimas um olhar de amor e do amor força para transformar tudo aquilo em saudade.
    Se você ainda não sabe perdoar, é porque ainda não amou alguém. Só o amor nos faz aprender certas coisas e perdoar é talvez a mais singular de todas elas. 


Rita Brito
07/05/2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Revivendo Sorrisos



Lembrando os momentos revivi seus sorrisos
Pensando em você te trouxe pra perto
Olhei seu sorriso, me vi dentro dele
Pensei: como pode?
E você me olhou...

Senti tua pele sem ao menos te tocar
Lembrei de coisas que jamais conseguiria apagar
Lembrar foi pouco, quis reviver.
Reviver apenas teu sorriso? Não!

Ouvi o barulho que você faz quando sorri
Lembrei do primeiro toque
Pensei no desejo que tive a última vez
Senti até quando não mais sentia você

Fechei os olhos
Ouvi a intensidade do querer
Não soube o que fazer
Ouvi o tempo voltar
Será que de novo vou me apaixonar?
Quisera eu que dessa vez fosse diferente
Ou quisera que fosse tudo igual?

Novamente falei sem pensar
Pensei ao falar
E tudo falei quando apenas te olhei

A ausência da timidez me fez te beijar
Senti novamente o mundo parar
Lembrei de todos os outros beijos
Todos os olhares
Carinho e abraços

Dessa vez você veio quando eu mais precisava
Me fez sorrir e lembrar
Das coisas boas que vivi
Das que eu nunca vou esquecer
E ainda te fiz prometer
Que de tudo ficariam as lembranças
Não como eu
Mas vivas até você morrer




Rita Brito
15/04/2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

MEDO


Sinto medo.
De não mais amar, não mais sentir, não ouvir, não viver... De morrer!
Parei de olhar para o lado e esperar que algo ou alguém viesse de lá.
Parei porque já não tenho mais lado para olhar.
Parei porque já não tenho paciência nem tempo de esperar.
Me desculpe! O tempo hoje corre ao meu lado.
A vida passou e eu nem senti.
Tentei viver e não vivi.
Não quis morrer, mas morri.
Estudei, trabalhei, me casei e em nada me realizei.
Algumas noites talvez me fizeram feliz, o restante não.
Os dias eram muito frios, sempre preferi a madrugada.
Lembro das conversas, dos olhares, dos suspiros e dos sorrisos.
Lembro da janela contando histórias e a lua sorrindo, pois sabia que tudo aquilo era mentira.
O violão querendo falar... As notas sem existir...
Lembro dos anjos, dos bons e dos ruins e também dos querubins
Tudo dentro de uma bolha, como uma bola de sabão: Frágil!
Me quebrei muitas vezes, me joguei de prédios de 20 andares.
Mas o fim só chegou quando tinha que chegar.
Hoje ou amanhã?
Ainda não sei.
Durante esses anos fui...
... Criança que gostou de andar de bicicleta e nunca caiu
... Menina que sonhou viver um contos de fadas
... Mulher que se profissionalizou, amadureceu e se decepcionou
Tentei sempre dar a todos o melhor de mim e não desisti quando o jogaram fora.
Tentei ser santa e fui diaba
Como seria o final de um conto que nunca foi de fadas?
E viveram tristes para sempre?
Dizem que o amor tudo cura... Cura as feridas do coração, mas nunca as feridas da alma.
Muitos esperam novos começos, eu, porém, espero apenas o primeiro, único e novo fim.
Parei de esperar o mundo mudar, mas só quando parei de viver nele!



Rita Brito
07/04/2013

terça-feira, 26 de março de 2013

APRENDER


            As vezes passamos a vida inteira sem aprender coisa alguma. Mas isso só acontece quando não vemos que são nos momentos de tristeza e sofrimento que se aprendem as mais importantes lições. E foi em alguns momentos como esses que aprendi...
            A esperar. A olhar pela janela vendo o tempo passar e mesmo inquieta, continuar a  esperar...
            Aprendi que o sentimento que trago comigo é maior e mais forte do que eu imaginava. Ele me fez acreditar, perdoar, deixar as mágoas de lado e mais uma vez tentar.
            Aprendi que a dor maior não é a de uma amor não correspondido, mas sim a de um amor desperdiçado.
            Aprendi que não adianta te esperar. Você sempre vem nos dias que eu não espero e o mais engraçado é que mesmo sem esperar eu consigo saber que você está chegando. Aprendi a sentir sua chegada mesmo na sua ausência.
            Aprendi a olhar a lua você não estando do meu lado, porque aprendi a te ver nela. Quando sinto saudade agora olho para o céu e penso que não estou do seu lado, nem te olhando, nem te sentindo, mas peço a ela que cuide de você como eu gostaria de fazer.
            Aprendi que o amor não é egoísta. Que quando se ama alguém a única coisa que queremos é que essa pessoa seja feliz, mesmo que não seja do nosso lado.
            Aprendi que o amor de mãe é maior do que qualquer outro. É um dom. E cada pessoa só o recebe quando é chegada a hora.
            Aprendi que não são as paixões, os amigos e os colegas que estarão conosco nos momentos difíceis, mas sim nossa família. Essa é uma dádiva, um presente que recebemos antes mesmo de chegar a esse mundo.
            Tentei aprender a não chorar, a não ficar triste e até a não amar. Tudo para não me magoar, para não sofrer. Mas aprendi que se não passarmos por isso nunca vamos dar valor as pequenas coisas nem aos pequenos momentos, pois esses sim, são os que nos trazem felicidade.
            Aprendi que os nomes que gravamos em nossos corações, jamais se apagarão. Pois cada momento vivido tatua um pedaço que nem o tempo nem a distância conseguem desfazer.
            Aprendi que as vezes é necessário retroceder. Dar um passo para trás é necessário para que ainda se possa caminhar.
            Aprendi que existe amor de verdade e amor de mentira. E que nunca vamos saber qual deles estamos prestes a viver. Mas independente de qual seja, vale muito a pena nos permitirmos.

            Aprender é o que ensina a vida. As vezes é fácil e vezes não. Por isso fico triste quando tenho que aprender a esquecer e a jogar fora algo muito importante que habitou meu coração.



Rita Brito
26/03/2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Não direi ADEUS a Salvador



A “cidade maravilhosa” não é o Rio, é Salvador. Aos treze me encantou e aos dezenove me apaixonou. Suas praias e dunas, seu verão que dura 360 dias e suas chuvas inesperadas. Aqui conheci o sorriso da diversidade, o molejo e a Baianidade. Descobri que a malemolência que dá fama a essa terra corre léguas quando se escuta a palavra FESTA. Até o diabo mora aqui, bem lá no quadril de cada soteropolitano. Aprendi a amar essa cidade como amo minha terra. Até mais Salvador, sentirei saudades...

#PARTINDOparaPERNAMBUCO