sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Não direi ADEUS a Salvador



A “cidade maravilhosa” não é o Rio, é Salvador. Aos treze me encantou e aos dezenove me apaixonou. Suas praias e dunas, seu verão que dura 360 dias e suas chuvas inesperadas. Aqui conheci o sorriso da diversidade, o molejo e a Baianidade. Descobri que a malemolência que dá fama a essa terra corre léguas quando se escuta a palavra FESTA. Até o diabo mora aqui, bem lá no quadril de cada soteropolitano. Aprendi a amar essa cidade como amo minha terra. Até mais Salvador, sentirei saudades...

#PARTINDOparaPERNAMBUCO







quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

COMO UM CHUTE DE UM CAVALO


           Hoje me pergunto: O que será que sou?
        Será que deixei de ser aquela menina que vivia de sonhos pra me tornar uma mulher que acaba de descobrir que não existe conto de fadas muito menos a possibilidade dos sonhos se tornarem realidade?
         Quis fazer tudo para que as coisas dessem certo, mas no final o que ganhei foi uma palavra tão dura e dolorida quanto à ferradura de um cavalo em impacto com a face de um ser humano.
       Ganhei roncos enquanto queria ganhar carinhos. Pisões enquanto queria ouvir eu te amo.
          Lavar o passado e não secar as mágoas dá nisso mesmo.
Já dizia minha mãe: estrutura se adquire ao longo dos anos e não quando já se tem 25. Sempre soube disso e mesmo assim quis tentar.
          Não é burrice subir em uma barca furada. Mas é inteligente saber colocar a boia na hora certa.
       Descobri hoje que solidão não se sente só quando estamos sozinhos. Algumas pessoas conseguem nos deixar muito mais sós quando estão do nosso lado do que á quilômetros de distância.
     Aprendi que as diferenças só separam quando deixamos que ela o faça e que só unem as pessoas que gostam de instabilidade. 
       O amor não deveria ser instável, pois é constante e inevitável. Deveria nascer só nas pessoas certas, pessoas que sabem o real valor desse sentimento. Assim, não teríamos tanta gente sofrendo por um sentimento que eles próprios acreditam ser tão belo.
         Acredito na frase “filosófica” dita pelos Titãs. O amor de fato não existe e se quem o sente não consegue provar é porque de fato não o sente!
       Dizem que nós mulheres sofremos mais com essas coisas do amor. Acredito mesmo que seja verdade. Mas acredito também que esse “jogo”, se assim posso tratar, pode e deve ser mudado. Chorar, gritar e sofrer não resolve. Tente algo diferente! Tende revidar em algumas situações. Além de sentir a alma lavada, pode ter certeza que 90% das pessoas só se dão conta que algo é importante quando sentem que podem perder. E se ainda assim isso não resolver... Faça como eu. Coloque a boia, pule fora e nade até a praia. Pode acreditar que lá vai ter um mundo de novas opções e pessoas pra você tentar novamente e dessa vez tente não se iludir com as tentadoras armadilhas das diferenças. Elas só irão tentar te afundar novamente.



                                                                                                                                 22/01/2013
Rita Brito

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

E se eu sentir Saudade?



         Vou sentir!
            Vou rir da situação, falar com alguém, chorar um pouco sozinha, escrever algo que fale de você...  Mas vou sentir!
            Vou olhar o céu e lembrar das vezes que o fiz em seus braços, vou ouvir nossa música pelo menos umas vinte vezes sem perceber.
            Vou querer tanto ouvir sua voz que  vou pegar o telefone pra te ligar mesmo sabendo que não vou se quer terminar de digitar o número.
            Vou querer saber o que você está a pensar nesse momento, se também sente saudade ou se pelo menos ainda pensa em mim...
            Vou tentar não sentir saudade. Mas e se não conseguir? O que devo fazer?
            E se quem escolhi não for capaz de conquistar minha vontade de ficar ao seu lado em um final de domingo e a consequência disso ser pensar em você, olhar você, querer você? Posso correr para os seus braços?  Ou terei que me contentar fumando um cigarro de olhos fechados?
            Vou lembrar do seu beijo e de como ele é único.
            Vou lembrar do seu toque em minha cintura e do seu sorriso... Ah, seu sorriso! Motivo pelo qual tudo começou.
            Me perdoa por não acreditar,  por desistir e por não saber esperar.
            A paixão foi de verdade e estará viva sempre dentro de mim.
            O que eu desejo a você? Que seu sorriso nunca acabe...


                                                                                              20/01/2013
Rita Brito

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

AS MOEDAS DO MEU TELHADO


            Alguns dias não consigo dormir.  Uns pela falta de sono e outros pelas moedas do meu telhado. Elas caem aqui todos os dias desde da minha primeira noite nessa casa. Achei estranho nos primeiros dias e hoje acho ainda mais. Me pergunto como elas podem cair sempre no mesmo lugar todas as noites na mesma hora por um ano?
         Durante esse tempo as escutei sozinha e com amigos e cada companhia a tornaram diferente e singular. Talvez porque as pessoas são diferentes em suas singularidades.
            Sofia ainda são sabe lidar muito com elas, fica olhando para o teto sem entender do que se trata e as vezes até pula como se as esperasse caírem. Algumas noites tenho a mesma inocência dela e outras não.
             Acho que as escuto com mais intensidade porque não tenho um telhado. Pelo menos não como o da maioria das pessoas. O meu é de concreto e ao invés de telha tem vigas de ferro.
            Não conheço muito meus vizinhos e talvez por isso nunca tive coragem de bater na porta e dizer que as suas moedas estavam a me tirar o sono. Só fico olhando para o teto no escuro imaginando o que acontece para elas caírem.
            Alguns dias são muitas, umas dez ou quinze. Outros são poucas, duas, no máximo cinco. Poucas ou muitas nunca deixam de cair. Gosto dessa constância. Queria que algumas outras coisas da vida fossem assim, constantes como as moedas do meu telhado, quem sabe assim me inspirariam a fazer uma nova canção ou escrever outros textos como esse. Mas enquanto isso não acontece, fico aqui apenas a escutar todas as noites as moedas do meu telhado...

                                  
Rita Brito
03/01/2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ADEUS 2012


Ontem me despedi de 2012 e com ele me despedi de coisas que aconteceram, de pessoas que conheci e convivi, de momentos bons e ruins. Decidi que para 2013 só quero aquilo que me faz bem. Nada que me faça chorar e tudo que me faça sorrir. Quero conhecer novos lugares, ver o sol se pôr de um lugar nunca visto antes, sorrir com o sorriso de alguém e conhecer uma pessoa especial. Deixo no ontem, todo sofrimento e dor do coração, todas as incertezas que não foram minhas e as minhas lutas para que tudo desse certo. Digo adeus a 2012, porque sei que ele não volta mais, digo adeus a  você porque não quero que volte mais. Que hoje possa chover para lavar o passado e oportunizar uma vida nova!



(Por Rita Brito em 01/01/2013)  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Viagem ao Centro de Mim


Saí de casa aos 19 anos pra tentar a vida na capital. Nada foi fácil nem tudo tão difícil e depois de seis anos me vejo aqui fazendo uma viagem ao centro de mim.
Tive exatos vinte e quatro dias para tornar isso possível.
Resolvi começar aos poucos, fazer cada coisa por vez, por dia...
Algumas coisas que fiz durante 19 anos já havia até esquecido.


Nesse dia acordei cedo, antes mesmo do horário que acordo para trabalhar. Chovia... Entrei no carro e cada quilômetro percorrido girava o filme que passava em minha mente. Quando cheguei lá, respirei fundo antes mesmo de olhar. Achei que nunca mais voltaria ali. Comecei subir a ladeira e cada canto, cada árvore, cada animal me lembrava ele. Poucas vezes em minha vida tive aquela sensação. Quando entrei em casa, lembrei de minha infância, da rede no meio da sala, do balanço embaixo do pé de manga espada, de quando pescava no açude e do grito de minha mãe toda vez que pegava um cágado. Lembrei de todas as vezes que desci a ladeira para molhar as plantas que hoje servem de sombra para quem passa lá com o sol a pino. Por um segundo queria não lembrar! Aquele turbilhão de coisas que estavam a passar na minha mente começava a me perturbar. Respirei fundo e comecei a andar... Fui em cada extremidade do terreno. Quando de repente olhei para último lugar onde ele esteve com vida. Acho que nunca vou me conformar por não ter tido a oportunidade de dizer adeus! Tudo aquilo era o seu sonho, seu suor, sua luta diária. Pai, sempre te encontrarei naquele lugar! 
Depois de alguns minutos tornei a caminhar, o orvalho no pasto molhava meus pés. Há quanto tempo não sentia aquele tão simples sabor. Mais algumas lembranças vieram à tona. Voltei para casa, mas já não era mais a mesma.
Peguei a vassoura e comecei a varrer o chão, espalhei a angustia que me veio e o vento me trouxe mais algumas lembranças. Fui até o carro de boi. lembrei das vezes que acordava as cinco da manhã pra o acompanhar de bicicleta e quando já era dez, voltávamos com elas sendo trazidas pela dupla de bois.
Fui até o curral. Olhei para o horizonte e senti o cheiro que só se sente nesses lugares. Pude contemplar até o que não é belo. Senti o vento no rosto a velocidade de 80 quilômetros por hora, vendo árvores passando, animais se aproximando e passarinhos voando.
Durante esses dias, pude ver de perto o milagre da vida. Um ser tão pequeno, tão inocente, tão dependente e tão amado por todos. Saúde é o que peço pra ti em minhas orações, minha pequena princesa.
Pensei em procurar os amigos de infância, até perguntei por alguns, aqueles que já não tinha notícias há anos, mas  como eu, cada uma seguiu seu caminho. Uns casaram, outros separaram, uns moram em São Paulo, outros em Natal... E assim, dia após dia, seguem suas vidas. Talvez lembrem de mim vez ou outra e talvez... Nem  lembrem...   

Um dos outros dias fui mais além, busquei algo que há cerca de doze anos meus olhos não viam. O lugar onde quem me trouxe ao mundo nasceu, é simples, mas de uma singela pureza que me inebria. Sempre que vou lá, vejo minha avó grávida de oito meses limpando o roçado, minha mãe cuidando dos outros irmãos e tantas outras histórias que ouvi contarem durante minha infância. O rio onde brincava ainda está lá, tão belo quanto era há doze anos atrás, mas impuro para se quer dar um mergulho. Lamentável nós, seres humanos, nos descuidarmos da natureza dessa forma.
As tardes na calçada, vendo a vida passar devagar. o "boa tarde" de quem passa e o "boa" de quem fica. Coisas simples de interior que eu até cheguei a achar que a saudade disso não ia me pegar, mas de fato pegou e não precisei de mais do que isso para lembrar que foi disso que vim e é isso que sou. O menino no pé da árvore, a vaca no campo a pastar, a lua no alto a espiar, o meu canto singelo a chorar. Chorar as saudades da vida, chorar as saudades das coisas perdidas.
Eu sou assim mesmo, falo DÍA, TÍA, ITÍNGA, digo AGENTE quando me refiro a nós, VISSE quando quero dizer entendi e não ligo quando riem de mim.
         Continuo sendo aquela menina de interior, que passava as férias da infância no sítio da tia Zezinha, que adorava andar a cavalo e brincar de esconde-esconde na plantação de batata, que furava os dedos costurando as roupas das bonecas e adorava gatos. Aquela menina que quando tinha pesadelos corria pra cama da mãe e passava quase uma semana sem conseguir dormir sozinha, que era mandona e batia no menino da escola todos os dias na 1ª série só porque ele me colocava apelidos.
        Mudei de cidade mas não de personalidade. Não abandonei nem jamais abandonarei as coisas que me fizeram chegar até aqui.
          Sempre achei que aqui era meu lugar, mas não!
          Entrei na cidade grande, faço parte dela, mas acho que ela nunca fará parte de mim.

Palmeirina - PE

                                                           Rita Brito
25/12/2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

O DIA QUE O MUNDO ACABOU



No dia que o mundo acabou
Vi aquele sorriso pela última vez
Me encantei e o guardei
Pra levar comigo para onde quer que eu fosse

De repente pareço riscar o chão com o pé
Mas apenas tentava descrever
O quão único era tudo aquilo para mim
Separando um pequeno pedaço de papel branco
Em meio aos outros cor de terra

Enquanto segurava sua mão
Contei os sinais da direita
Eram quatro sendo mais específica
Confesso que isso me entristeceu
Pois ao olhar para a minha
Apenas um encontrei

No dia que o mundo acabou
Não fumei um cigarro
Apenas olhei você fumar
E lembrei da primeira vez
De como tudo aconteceu
E de como tudo se perdeu

Achei que tudo seria diferente
Mas foi tudo tão igual
De repente o acaso
E depois o descaso
Como se tivesse sido apenas mais um dia
Onde o sol nasce e se põe quando chega o final

No dia que o mundo acabou
Você foi em a um lugar casto
Total exclusividade sua
Quando o beijastes nem acreditei
Que mesmo sem saber
Fizesse o que quis durante toda vida

Não pude nem quis estar em melhor lugar
Ou em melhor companhia
As músicas falando de sorriso
E o meu saia sem querer
Pois foi isso que fiz durante as últimas horas
Busquei incessantemente teus últimos sorrisos

No dia que o mundo acabou
Sentei do seu lado
Senti seu cheiro
Seu braço envolto a mim
Sabia que seria o último dia
Mas tremia como se fosse o primeiro

Nunca quis que o mundo acabasse
Que o mundo que construí ao sonhar
Com você chegasse ao fim
Pois para mim
Aquele momento foi além de algumas horas
Foi algo que em sua finitude e simplicidade
Se tornou inevitavelmente especial

No dia que o mundo acabou
Eu sabia que ele ia acabar
Céu e inferno seriam nossos destinos
E certamente não pegaríamos o mesmo elevador
E nem ficaríamos no mesmo andar

Fiquei feliz e triste
Quis mais e menos
Muitas coisas do que nos outros dias
Não percebi sua vontade nem seu apego
Mas notei seu descaso e seu desprezo
Fingi não te ver algumas vezes
E outras te olhei demasiadamente

No dia que o mundo acabou
Sabia que aquele seu meu sorriso de cada dia
Não iria mais sorrir
Pelo menos não mais para mim
Quem sabe para um outro alguém
Que é tão diferente de mim
Que chega a ser em gênero igual a você

Na hora que o mundo acabou
Havia percebido que não teria mais tempo
Estava em seus braços
De olhos fechados sentindo seu abraço
E pensando: "Agora o mundo já pode acabar."                            


Rita Brito
22/12/2012